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Prólogo · Psicoterapia Breve

Psicoterapia

Quando o trabalho perde o sentido: uma leitura existencial e clínica

Resposta direta

Sentido, propósito e significado não são sinônimos exatos, mas convivem na mesma pergunta humana: para que eu gasto tempo, energia e atenção todos os dias, e o que isso diz sobre quem estou me tornando? Em uma perspectiva existencial e clínica, essa pergunta não é um luxo intelectual. Ela aparece quando a rotina começa a soar como repetição, obrigação ou sobrevivência e a pessoa percebe que está funcionando, mas não necessariamente vivendo com direção.

Trabalhar, nessa leitura, não é apenas ganhar dinheiro. É transformar tempo, energia e presença em alguma forma de efeito no mundo. Às vezes esse efeito é pequeno: cuidar de alguém, organizar uma casa, resolver um problema, ensinar uma coisa, sustentar uma família, construir algo útil, participar de uma rede humana. O que dá peso existencial ao trabalho não é o tamanho do reconhecimento, mas a relação entre o gesto e o mundo que ele toca.

O problema começa quando o trabalho perde contato com conexão, realização, direção e valor simbólico, e vira apenas medo, repetição ou obrigação. Aí ele deixa de ser uma forma de participação e passa a consumir a vida por dentro.

Na leitura ericksoniana, isso não se resolve por conselho pronto. Também não se resolve por uma promessa de "encontrar propósito" como se houvesse uma resposta escondida esperando ser revelada. O trabalho clínico pode ampliar o mapa de significados, voltar da abstração para a experiência concreta e permitir que a pessoa reconheça, dentro da própria história, outros modos de perceber o que faz.

Uma forma de nomear essa ampliação é falar em ecologia do significado. Cada experiência cotidiana costuma carregar vários sentidos competindo entre si: peso e cuidado, rotina e presença, obrigação e pertencimento, cansaço e amor. O sofrimento existencial muitas vezes aparece quando uma experiência complexa fica reduzida a um único nome, como se só pudesse significar prisão, fracasso ou desgaste.

Significado, sentido e propósito não são a mesma coisa

Uma parte da confusão nasce porque essas três palavras costumam aparecer juntas. Elas se aproximam, mas cada uma aponta para uma camada diferente da experiência.

PalavraPergunta que organizaComo aparece no trabalhoRisco quando se perde
SignificadoO que isso representa para mim?O valor simbólico de uma tarefa, de uma função ou de uma responsabilidadeA rotina fica sem nome interno e tudo parece apenas obrigação
SentidoPara onde isso aponta na minha vida?A ligação entre o que faço, o que sustento e o que considero importanteA pessoa funciona por inércia, mas sente que está se afastando de si
PropósitoA serviço de que eu quero orientar minha energia?Uma direção prática, não necessariamente grandiosa, que ajuda a escolher e limitarO trabalho vira desempenho vazio, culpa ou tentativa de provar valor

Significado é a camada simbólica. Sentido é a direção vivida. Propósito é uma orientação que ajuda a escolher. Nenhuma dessas camadas precisa ser perfeita para que a vida tenha valor. O ponto clínico é perceber onde ainda existe vínculo e onde a experiência começou a ficar estreita demais.

O que o trabalho costuma significar

Antes de falar em propósito, vale reconhecer que o trabalho costuma cumprir várias funções ao mesmo tempo. Ele pode ser sobrevivência, mas também pode ser autonomia, vínculo, utilidade, disciplina, aprendizado e uma forma de deixar algo no mundo que não existia antes.

Quatro sentidos que aparecem com frequência

SentidoO que ofereceQuando se perdePergunta clínica
SobrevivênciaSustento, estabilidade, proteção materialQuando vira a única justificativaEstou vivendo só para manter a máquina funcionando?
ConexãoParticipação, troca, pertencimentoQuando o outro vira apenas demandaO que meu trabalho oferece a alguém além de tarefa?
RealizaçãoVer algo ganhar forma, concluir, contribuirQuando tudo parece sem consequênciaO que hoje eu consigo ver nascer do meu esforço?
DireçãoRitmo, eixo, responsabilidade, continuidadeQuando a rotina fica vazia e automáticaO meu trabalho me aproxima ou me afasta da vida que considero significativa?

Essa tabela não resolve a vida de ninguém, mas ajuda a perceber onde o significado está se mantendo e onde ele já se rompeu. Em muitos casos, a dor não vem do trabalho em si. Vem da perda de sentido entre o que a pessoa faz e o que ela sente que está vivendo.

Quando a rotina vira repetição sem nome

Há momentos em que a pessoa não está exausta apenas por trabalhar demais. Ela está exausta porque o gesto perdeu nome interno. A mesma ação pode ser vivida como cuidado, peso, vazio, obrigação, vínculo, sobrevivência, pertencimento ou prisão. O corpo responde ao significado que foi acoplado à experiência.

Uma rotina doméstica pode ser lida como sinal de vida e movimento, ou como prova de que nunca há descanso. Um emprego pode ser vivido como autonomia, ou como captura. Uma tarefa pequena pode sustentar alguém, ou apenas acumular cansaço. Quando tudo fica reduzido a uma única interpretação, o campo de possibilidades encolhe.

É por isso que o sofrimento existencial muitas vezes não nasce apenas do que acontece, mas do nome que foi dado ao que acontece. Quando o nome é estreito demais, a experiência começa a sufocar.

Ecologia do significado

Uma casa bagunçada pode significar excesso, mas também vida em movimento. Um trabalho pode significar sustento, autonomia, prisão, utilidade, cansaço, identidade ou participação no mundo. Uma tarefa repetida pode ser lida como servidão, mas também como cuidado que perdeu o próprio nome.

Chamar isso de ecologia do significado ajuda a evitar uma falsa pressa por decidir qual interpretação é a verdadeira. Em clínica, a pergunta nem sempre é "qual é o sentido correto?". Muitas vezes a pergunta mais útil é: quantos sentidos ficaram disponíveis para essa experiência?

Na minha pesquisa sobre comunicação simbólica em hipnose ericksoniana, esse ponto aparece como comunicação em múltiplos níveis: cada ato comunicativo pode carregar, ao mesmo tempo, comportamento, sentimento, pensamento, contexto e dimensão simbólica (Santana, 2023). Na prática clínica, isso significa que o trabalho terapêutico não precisa convencer a pessoa de nada. Precisa abrir o campo. [[Ver publicação]](https://doi.org/10.5281/zenodo.8273587)

Quando uma vida inteira fica organizada em torno de um único nome interno, o campo subjetivo se estreita. Se tudo vira obrigação, a pessoa respira obrigação. Se tudo vira fracasso, até os gestos de cuidado começam a parecer inúteis. O trabalho terapêutico pode devolver nomes, imagens, nuances e possibilidades, não para maquiar a dor, mas para devolver liberdade de leitura ao que está sendo vivido.

Sinais comuns de perda de sentido no trabalho

A perda de sentido no trabalho não precisa ser patologizada. Em muitos momentos da vida, questionar a própria rotina é uma reação humana compreensível. Ainda assim, existe um desgaste silencioso que começa quando a rotina do trabalho passa a ser vivida sem uma direção clara.

Talvez você já conheça esse desgaste. O primeiro eixo dessa perda é a exaustão funcional: aquele cansaço profundo que não se resolve mais com um fim de semana de descanso, arrastando o corpo por uma oscilação constante entre picos de hiperprodutividade e episódios de desligamento interno, onde a sensação predominante é a de estar apenas cumprindo tarefas mecânicas que não parecem ter efeito ou destino algum.

Aos poucos, algumas pessoas percebem que esse movimento afeta a própria capacidade de conexão com o entorno. Demandas pequenas, que antes eram resolvidas com naturalidade, passam a disparar uma irritação frequente, enquanto se torna cada vez mais difícil reconhecer valor naquilo que antes parecia genuinamente importante. A curiosidade e a presença, que costumavam dar textura às relações fora do ambiente profissional, começam a encolher, deixando um rastro de pressa ou ausência nos momentos de convivência.

Por fim, consolida-se uma narrativa constritora na mente. Talvez você vá se deparar com o pensamento recorrente de que nada do que se faz realmente importa, acompanhado de uma culpa persistente por desejar limites, pausas ou mudanças na trajetória. Essa sensação de estar preso a um cargo, papel ou função estreita o horizonte subjetivo, como se a vida inteira devesse caber em um desempenho funcional estrito que já não sustenta quem a pessoa sente que está se tornando.

Esses sinais não significam, por si só, depressão, burnout ou transtorno. Eles indicam que a relação entre rotina, corpo, valor e futuro precisa ser olhada com mais cuidado.

A perspectiva existencial

Existencialmente, propósito não é necessariamente descobrir uma missão grandiosa, épica e definitiva. Às vezes propósito é simplesmente perceber a relação entre aquilo que eu faço e aquilo que eu me torno fazendo.

Essa perspectiva muda a pergunta. Em vez de perguntar apenas “o que eu faço?”, a pergunta passa a ser também:

  • Que tipo de pessoa eu me torno ao repetir isso todos os dias?
  • O que meu trabalho sustenta no mundo e nas minhas relações?
  • Onde minha energia está indo, de fato?
  • O que eu já estou fazendo que não consigo mais sustentar?
  • O que merece ser compartilhado em vez de carregado sozinho?

O sentido maduro não elimina a ambivalência. Ele suporta contradições sem se despedaçar nelas. É possível amar algo e se cansar dele. É possível gostar do cuidado e precisar de pausa. É possível querer ordem e, ao mesmo tempo, desejar uma vida que tenha movimento. Vida sem atrito pode até parecer controlada, mas muitas vezes fica vazia.

O que a hipnose ericksoniana faz com essa pergunta

A hipnose ericksoniana não entra para dizer ao paciente qual é o propósito dele. Ela entra para ajudar a ampliar o campo onde esse propósito pode ser vivido, sentido e reorganizado.

Esses mecanismos não são apenas intuição clínica. Realizei uma análise sistemática da obra de Erickson, publicada em periódico científico, que identificou esses mesmos padrões como constructos centrais da abordagem — emergindo não da interpretação subjetiva, mas de uma estrutura matemática objetiva aplicada ao conjunto da literatura (Santana, 2023). [[Ver publicação]](https://doi.org/10.5281/zenodo.8273587)

O que a hipnose fazComo aparece na sessãoO que isso muda
Amplia a comunicação com a própria experiênciaO terapeuta trabalha com o que você traz, não com uma teoria sobre vocêVocê não precisa encaixar no problema — o problema se reorganiza em torno de você
Usa símbolos e imagens em vez de lógica diretaHistórias, metáforas, sensações corporais entram no trabalhoO que parecia travado encontra outro caminho
Sustenta contradições sem forçar resoluçãoCansaço e amor, limite e cuidado podem coexistirVocê não precisa escolher entre versões de si mesmo
Deixa o processo continuar depois da sessãoO inconsciente integra o que foi tocado no próprio ritmoA mudança não exige entender tudo de uma vez

1. Desloca o abstrato para o concreto

Perguntas como “qual é meu propósito?” costumam ficar grandes demais quando são tratadas apenas no plano mental. A condução ericksoniana aproxima a pergunta de cenas pequenas e concretas: uma mesa, uma tarefa, um gesto de cuidado, uma casa, uma sensação no corpo, uma memória de realização, uma imagem de movimento.

Quando o abstrato encontra o vivido, a mente deixa de girar em torno da mesma frase e começa a explorar outras possibilidades.

2. Trabalha com o material que a pessoa já traz

O método ericksoniano começa com o que já está vivo na sessão. Se a pessoa traz culpa, trabalho, repetição, cansaço, dinheiro, casa, responsabilidade ou desejo de pausa, esse material não é descartado. Ele vira ponto de entrada.

Esse princípio evita uma terapia genérica. Em vez de impor significado, a sessão utiliza o significado que já está em circulação e o desenvolve de forma mais ampla.

3. Sustenta polaridades sem forçar conclusão

O sentido raramente nasce de uma resposta unilateral. Muitas vezes ele aparece quando duas verdades conseguem coexistir: cansaço e amor, ordem e movimento, recolhimento e vínculo, limite e cuidado, rotina e vida.

A hipnose é útil aqui porque permite que a pessoa imagine, compare, aproxime e distancie experiências sem precisar decidir rápido demais o que cada coisa “é”. Isso abre espaço para reorganização interna.

4. Permite que o inconsciente continue trabalhando

Nem toda compreensão precisa virar conclusão imediata. Em uma abordagem permissiva, o inconsciente pode continuar processando depois da sessão, integrando imagens, memórias e sensações de forma gradual.

Isso é importante para o tema deste artigo porque propósito não é apenas uma ideia. Muitas vezes é uma reorganização afetiva. A pessoa não “entende” o sentido da vida como quem resolve um problema de lógica. Ela reconhece, aos poucos, uma relação mais honesta com o que faz.

Um modelo possível de intervenção clínica

Sem transformar uma sessão em receita, dá para descrever um percurso possível quando o tema é sentido, propósito e significado:

1. Identificar a pergunta existencial viva sem tentar responder cedo demais. 2. Mapear a rotina concreta onde a perda de sentido aparece. 3. Nomear os polos em tensão: sobrevivência, conexão, realização, direção, culpa, descanso, cuidado, sobrecarga. 4. Levar a pessoa do conceito para uma cena concreta. 5. Trabalhar imagens que ampliem o campo de significado. 6. Permitir que significados paradoxais coexistam. 7. Encontrar um ponto integrativo que não negue nenhum dos lados. 8. Evocar memórias em que o mesmo gesto já teve valor, alegria ou utilidade. 9. Reassociar corpo e significado. 10. Encerrar deixando espaço para processamento inconsciente.

Esse tipo de trabalho é menos um discurso sobre propósito e mais uma reconstrução de experiência.

O trabalho como transformação, conexão, realização e direção

Quando o trabalho é vivido com sentido, ele costuma tocar quatro eixos ao mesmo tempo.

Transformação: algo muda porque eu agi. Conexão: meu gesto alcança alguém, um vínculo, uma comunidade ou uma causa. Realização: eu consigo ver efeito, forma, consequência. Direção: meu dia deixa de ser apenas passagem e passa a ter eixo.

Quando um desses eixos desaparece, o trabalho pode continuar existindo, mas a pessoa começa a viver uma espécie de esvaziamento interno. É por isso que tanta gente não está apenas cansada. Está deslocada do próprio gesto.

O paradoxo da casa perfeita

Uma reflexão clínica sobre o tema traz uma imagem muito poderosa: a casa completamente limpa, organizada, imóvel. À primeira vista, isso parece paz. Mas, quando a imagem é prolongada, aparece um paradoxo: se tudo fica sempre impecável, sem marca, sem bagunça, sem resto, talvez falte vida, encontro, saída, movimento.

Essa é uma boa chave para o artigo porque desfaz uma fantasia comum: a ideia de que sentido vem de controle absoluto. Muitas vezes, o que dá vida ao ambiente também dá trabalho. E o que dá trabalho também pode ser sinal de presença.

Sentido não deve ser usado para justificar sobrecarga. O que importa não é romantizar o cansaço, mas perceber que certas tarefas valiosas talvez mereçam ser compartilhadas, reorganizadas ou limitadas.

O sentido criado no encontro entre ato e significado

Uma tarefa não possui um significado fixo. Ela adquire sentido dentro de uma história, de um corpo, de uma relação e de um momento de vida.

Arrumar uma mesa pode ser só arrumar uma mesa. Mas também pode ser preparar um encontro, recuperar dignidade, abrir espaço para alguém, sustentar uma conquista ou marcar uma transição importante. A ação é a mesma; o campo simbólico muda.

É por isso que a pergunta não é apenas “o que eu faço?”, mas “o que esse gesto está significando na minha vida agora?”. Essa troca de foco costuma mudar mais do que parece.

Como o significado se perde

O significado costuma se perder quando há excesso de obrigação, isolamento, repetição automática, falta de reconhecimento, sobrecarga emocional ou impossibilidade de descanso.

Também se perde quando a pessoa fica presa a uma única narrativa sobre si mesma. “Eu só sirvo para isso.” “Meu valor está apenas no que entrego.” “Se eu parar, tudo desmorona.” Essas frases parecem organizar a vida, mas na prática podem apertá-la demais.

Na clínica, talvez o trabalho mais delicado seja ajudar a pessoa a perceber que ela é mais ampla do que sua função e, ao mesmo tempo, que sua função pode voltar a ter sentido sem precisar virar prisão.

Quando a perda de sentido pede cuidado clínico

Nem toda crise de sentido é doença. Às vezes, ela é uma pausa necessária para rever escolhas, reorganizar prioridades ou admitir que uma etapa terminou. A dúvida existencial pode fazer parte de uma vida adulta honesta.

O cuidado clínico passa a ser mais importante quando a pergunta deixa de abrir reflexão e começa a fechar o mundo. Isso pode acontecer quando a perda de sentido vem acompanhada de sofrimento persistente, prejuízo no sono, alimentação, trabalho ou relações, isolamento crescente, ansiedade intensa, desânimo profundo, pensamentos de inutilidade ou sensação de que não há saída.

Nesses casos, o objetivo não é transformar uma pergunta humana em diagnóstico apressado. É avaliar com cuidado o conjunto: rotina, história, corpo, vínculos, condições de trabalho, saúde física, sintomas emocionais e recursos disponíveis. Às vezes a pessoa precisa de reorganização de limites. Às vezes precisa de psicoterapia. Às vezes precisa também de avaliação médica ou psiquiátrica. A prudência está em não reduzir tudo a "falta de propósito" nem ignorar sofrimento que já pede cuidado.

Perguntas que ajudam a reorganizar o campo

  • O que meu trabalho sustenta de concreto?
  • Em que parte da minha rotina o significado ainda está vivo?
  • O que passou a ser apenas repetição?
  • O que eu carrego sozinho e poderia ser compartilhado?
  • Que tipo de limite eu preciso para que o sentido não se transforme em esgotamento?
  • O que me dá direção, mesmo em dias comuns?
  • O que em mim continua querendo participar da vida, e não apenas sobreviver a ela?

Essas perguntas não servem para pressionar. Servem para abrir espaço.

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Um convite clínico, sem promessa pronta

Se a perda de sentido no trabalho deixou de ser uma reflexão passageira e começou a afetar sua vida, uma avaliação clínica pode ajudar a compreender o que está acontecendo com mais precisão. O objetivo não é prometer uma resposta definitiva, mas construir um espaço ético para organizar sofrimento, limites, rotina e direção possível.

Para conversar sobre atendimento, o contato canônico é: https://wa.me/5562982171845

Perguntas frequentes

Propósito é algo que se descobre uma vez?

Não necessariamente. Muitas vezes o propósito é algo que se ajusta ao longo da vida. Ele pode ficar mais claro, mais simples ou mais prático dependendo do momento.

Trabalhar sem paixão significa viver sem sentido?

Não. Sentido não depende de euforia permanente; ele pode estar na utilidade, na responsabilidade, na continuidade e no cuidado.

A hipnose encontra o propósito de alguém?

Não como promessa. Ela ajuda a experimentar novos modos de perceber a própria vida, não entrega fórmulas prontas.

E se eu estiver apenas exausto?

O primeiro passo não é “descobrir o propósito”, mas recuperar condições de descanso e organização para que qualquer sentido possa reaparecer.

Esse olhar substitui avaliação clínica?

Não. Quando há sofrimento persistente ou prejuízo funcional, a avaliação profissional é necessária.

Fechamento

A pergunta mais profunda talvez não seja “para que eu trabalho?”, mas “o meu trabalho está me aproximando ou me afastando da vida que eu considero significativa?”. Essa questão não exige uma resposta grandiosa. Exige honestidade, presença e a coragem de olhar de novo para aquilo que já está sendo vivido.

Quando a ecologia do significado volta a se abrir, o trabalho deixa de ser apenas repetição e volta a ser participação no mundo. E, às vezes, isso já é um começo muito sério.

--- Este artigo se baseia em pesquisa clínica e científica documentada sobre hipnose ericksoniana. Para uma análise multinível dos fundamentos da comunicação simbólica na hipnoterapia, incluindo mapeamento de constructos por análise de clusters, ver: Santana (2023), publicado na revista Saúde Coletiva — DOI: [10.5281/zenodo.8273587](https://doi.org/10.5281/zenodo.8273587). Para uma revisão sistemática da literatura sobre uso simbólico do fenômeno hipnótico na terapia, ver: Santana (2023) — DOI: [10.31234/osf.io/2g5yj](https://doi.org/10.31234/osf.io/2g5yj).

Sobre o autor

Victor Lawrence Bernardes Santana é psicólogo clínico, CRP 09/012681, mestrando em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Atua com psicoterapia breve, Hipnose Clínica Ericksoniana e acompanhamento psicológico de adultos, com interesse clínico e científico em autonomia, regulação emocional e processos simbólicos.

Referências conceituais consultadas

  • Santana, V. L. B. (2023). Explorando a comunicação simbólica e as estratégias terapêuticas de Milton H. Erickson: uma análise multinível dos fundamentos da hipnoterapia ericksoniana. Saúde Coletiva, 27(125). https://doi.org/10.5281/zenodo.8273587
  • Santana, V. L. B. (2023). Uso simbólico do fenômeno hipnótico e sua iconicidade na terapia: uma revisão sistemática da literatura. https://doi.org/10.31234/osf.io/2g5yj
  • Frankl, Viktor E. Em busca de sentido. Referência existencial para compreender sentido como relação entre sofrimento, responsabilidade e direção.
  • Deci, Edward L.; Ryan, Richard M. Teoria da Autodeterminação. Referência para autonomia, competência e vínculo como necessidades psicológicas relevantes.
  • Wrzesniewski, Amy; Dutton, Jane E. "Crafting a Job: Revisioning Employees as Active Crafters of Their Work" (2001). Referência sobre construção ativa de significado no trabalho.
  • Erickson, Milton H.; Rossi, Ernest L. Hypnotic Realities (1976) e Hypnotherapy: An Exploratory Casebook (1979). Referências para a tradição ericksoniana de utilização, permissividade e trabalho com experiências concretas.

Perguntas frequentes

Perguntas Frequentes

Sentido, propósito e significado são a mesma coisa?

Não exatamente. Eles se cruzam, mas operam em níveis diferentes. O texto trabalha essa diferença para mostrar como o trabalho pode sustentar direção, conexão e realização sem virar apenas obrigação.

Trabalhar precisa ser vocação para ter valor?

Não. O trabalho pode ter valor por sustentar sobrevivência, vínculo, autonomia, realização ou direção. A questão clínica é entender que tipo de relação a pessoa constrói com o que faz.

Como a hipnose ericksoniana entra nesse tema?

Ela pode ajudar a ampliar o campo de significados, aproximando a pessoa de experiências concretas, imagens e memórias que reorganizam a relação entre gesto, corpo e propósito.

Esse olhar substitui psicoterapia?

Não. A leitura ajuda a pensar o tema com mais profundidade, mas sofrimento persistente, exaustão ou perda importante de sentido merecem avaliação clínica individualizada.

E se eu estiver só exausto?

Então o primeiro passo talvez não seja descobrir um grande propósito, e sim recuperar condições mínimas de descanso, limite e organização para que o significado volte a circular.

Doctoraliareferência externa pública
Tema mencionado

Sentido, rotina e reconstrução de significado

Trabalho, direção e a pergunta existencial sobre propósito

Síntese descritiva

Referências públicas em fonte externa apontam a importância de uma escuta que ajude a reorganizar rotina, responsabilidade e direção sem reduzir o trabalho a produtividade vazia. A síntese é indireta e não substitui avaliação clínica individualizada.

PsicoterapiaSentido no trabalhoEscuta clínica
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Experiências individuais variam. Avaliação clínica individualizada é necessária.

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A Psicoterapia Breve trabalha com foco, metas claras e autonomia crescente. Agende uma avaliação inicial para conversarmos sobre o seu momento.

Aviso Importante:Se você ou alguém que você conhece está passando por uma crise emocional ou pensamentos de autoagressão, procure ajuda imediata pelo CVV (Centro de Valorização da Vida) ligando para 188 ou acessando cvv.org.br. Em situações de violência, ameaça ou risco físico, procure a rede de proteção, autoridade policial ou Ligue 180. Em emergências de saúde, ligue 192 (SAMU). A psicoterapia é um processo clínico e não substitui o atendimento de urgência.
Psicólogo Victor Lawrence Bernardes Santana
Sobre o autor

Psicólogo Victor Lawrence Bernardes Santana

CRP 09/012681 · Filiação acadêmica: UFU · Filiação profissional: Instituto Lawrence de Hipnose Clínica

Psicólogo clínico com atuação desde 2016, especializado em Hipnose Ericksoniana e Programação Neurolinguística (PNL). Formação avançada pela Milton H. Erickson Foundation (EUA) e pesquisador em Transtorno do Espectro Autista (TEA) em adultos, com publicações em periódicos nacionais e internacionais.

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